sábado, 23 de outubro de 2010

INSÂNIA

No mundo vago das idealidades
Afundei minha louca fantasia;
Cedo atraiu-me a auréola fulgidia
Da refulgência antiga das idades.

Mas ao esplendor das velhas majestades
Vacila a mente e o seu ardor esfria;
Busquei então na nebulosa fria
Das ilusões, sonhar novas idades.

Que desespero insano me apavora!
Aqui, chora um ocaso sepultado;
Ali, pompeia a luz da branca aurora

E eu tremo e hesito entre um mistério escuro
- Quero partir em busca do Passado
- Quero correr em busca do Futuro.


Augusto dos Anjos.

Estátua do faraó Amenhotep, avô de Tutancâmon, é achada no sul do Egito

Uma equipe de arqueólogos egípcios descobriu uma estátua do faraó Amenhotep III (1410-1372 a. C.) na cidade monumental de Luxor, a 600 quilômetros ao sul do Cairo, informou neste sábado (20o ministro de Cultura egípcio, Farouk Hosny.

Em comunicado divulgado pelo Conselho Supremo de Antiguidades, o ministro detalhou que a parte posterior de uma estátua dupla desse rei, esculpida em rocha, foi desenterrada próximo de seu templo, no setor oeste do rio Nilo.

A representação de Amenhotep sentado sobre um trono ao lado do deus Amon, a principal divindade de Tebas, a capital do Egito no Médio Império (1975-1640 a.C.) e no Novo Império (1539-1075 a.C.), fica onde é hoje a cidade de Luxor.

A parte da estárua já desenterrada mede 1 metro 30 centímetros de altura e 95 centímetros de largura, leva na cabeça uma coroa dupla que representava o norte e o sul do Egito e uma peruca.

O secretário-geral do CSA, Zahi Hawass, destacou na nota que a peça arqueológica "é uma das mais maravilhosas estátuas da realeza faraônica encontradas ultimamente pela precisão que mostra a escultura e os detalhes do rosto do Amenhotep III".

Nesse contexto, Hawass disse que a descoberta dessa terceira estátua do rei nessa região aponta para a possibilidade de que existam ali mais estátuas do faraó.

O comunicado adianta que as escavações prosseguem no local para desenterrar as outras partes da estátua, que calculam possa ter 3 metros de altura.

Amenhotep III, que foi um dos mais importantes reis da dinastia XVIII, foi pai e avô dos faraós Akhenaton e Tutancâmon, respectivamente.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Senmut - quem foi ele realmente?

A verdadeira natureza de seu relacionamento com Hatshepsut é desconhecida, mas ele era um de seus adeptos mais fervorosos, provavelmente até mesmo um de seus principais assessores. Durante sua carreira, ele ganhou mais de 40 títulos, incluindo o "arquiteto-chefe." Ele desapareceu algum tempo antes do fim do reinado de Hatshepsut, e não se sabe o que realmente aconteceu com ele.

O apoio do sacerdócio de Amon foi muito importante para a ascensão ao poder de Hatshepsut. Hapuseneb foi o Sumo Sacerdote de Amon, e Hatshepsut também colocou-o no comando de seus monumentos de Karnak. Ele pode mesmo ter sido vizir de Hatshepsut, mas ela certamente lhe deu grande poder. Em uma inscrição, Senmut proclamou-se:

"Companheiro muito amado, Protetor do Palácio, Protetor do Coração do Rei, "Senhora de ambas as terras, fazendo todas as coisas vêm para passar para o Espírito de Sua Majestade".

De seus títulos, este pode ter sido uma afirmação verdadeira. Senmut não era um homem "bem nascido", mas subiu ao poder com Hatshepsut. Alguns de seus muitos títulos incluídos "Supervisor das Obras", "Supervisor dos Campos", "Supervisor dos Casa Dourada", "Supervisor dos Jardins de Amon", "Controlador de Obras", "Supervisor do Instituto de Administração da Mansão "," Maestro dos Festivais "," Supervisor do Gado de Amon "," Tutor da filha do rei, Neferura "," Chefe do Rei "," Magnata das dezenas de Alto e Baixo Egito "," Chefe da Mansão da Coroa Vermelha, "Conselheiro Privado", "Comissário-Chefe de Amon", Supervisor do Celeiro de Amon" e "Príncipe hereditário"

Começa hoje o estudo sobre GRANDES FARAÓS DO ANTIGO EGITO.


Vamos conheçer agora, alguns dos grandes soberanos que governaram o antigo Egito.


Hatchepsut

Hatchepsut ou Hatshepsut foi uma grande esposa real, regente e Faraó do Antigo Egito. Viveu no começo do século XV a.C, pertencendo à XVIII Dinastia do Império Novo. O seu reinado, de cerca de vinte e dois anos, corresponde a uma era de prosperidade económica e relativo clima de paz.


Hatshepsut nasceu em Tebas. Era a filha mais velha do rei Tutmés I (Tutmósis I) e da rainha Ahmose.

Quando o seu pai morreu Hatshepsut teria cerca de quinze anos (para alguns egiptólogos teria vinte anos). Casou com seu meio-irmão, Tutmés II, seguindo um costume que existia no Antigo Egito que consistia em membros da família real casarem entre si. Após a morte de Tutmés II, cujo reinado é pouco conhecido, o sobrinho de Hatshepsut, Tutmés III, era ainda uma criança que não estava apta a governar. Por esta razão Hatchepsut, na qualidade de grande esposa real do rei Tutmés II, assumiu o poder como regente na menoridade de Tutmés III. Mais tarde, Hatchepsut decidiu assumir a dignidade de faraó.

Hatchepsut como faraó


No Antigo Egipto os anos eram contados a partir da ascensão de uma novo soberano ao poder. Hatchepsut não seguiu esta tradição, tendo preferido inserir-se nos anos de Tutmés III.

No ano 7, Hatchepsut deixa de ser rainha, assumido os cinco nomes que estavam reservados aos faraós. Para legitimar a sua posição, Hatchepsut, junto com os membros do clero de Amon, recorreu a um relato que fazia de si filha do deus Amon-Rá (teogamia). Nas paredes do templo funerário de Hatchepsut, em Deir el-Bahari, está representado o episódio que relata a concepção e nascimento da rainha-faraó.

A mãe de Hatchepsut, Ahmose, encontra-se no palácio real. O deus Amon-Ra observa-a e, depois de consultar um conselho composto por doze divindades, decide que chegou a altura de gerar um novo faraó. O deus toma a aparência do rei Tutmés I, encontrando-a no quarto adormecida. A rainha acorda ao sentir o perfume que emana do corpo do esposo e o Deus Amon-Rá se mostra em toda sua plenitude, Ahmose, cai aos prantos em emoção pela grandiosidade do Deus. O casal une-se sexualmente e depois Amon-Rá informa que a filha que nascerá da união dos dois, governará o Egito em todas as esferas de poder do palácio.

Apesar de não concordarem, os sacerdotes foram obrigados a legitimar a história, pois viviam bem e com muitas mordomias, principalmente por causa das doações que a rainha fazia a eles. Acreditaram que se o Deus Amon não ficasse satisfeito com

as decisões da rainha, o Egito sofreria com pragas e colheitas ruins, e então eles poderiam agir. Mas parece que Amon-Rá estava de acordo com as idéias de Hatshepsut, pois ela governou em um período de muita properidade e tranquilidade.

Após sua morte, aos 37 anos e com 22 anos de reinado, Tutmés III subiu ao trono do Egito. Hatchepsut foi enterrada na tumba KV20.

O governo de Hatchepsut é habitualmente apresentado como correspondendo a uma era de paz, mas esta imagem tem sido relativizada por alguns investigadores. Pelo menos duas campanhas militares foram conduzidas durante o seu reinado, uma

das quais à Núbia, a qual talvez tenha sido liderada pela própria Hatchepsut.

Hatchepsut conservou alguns servidores do tempo do seu pai Tutmés I. Dois homens ficaram conhecidos como os ministros mais importantes da rainha: Hapuseneb e Senemut. O primeiro era o sumo sacerdote de Amon, tendo dirigido os vários trabalhos de construção ordenados por Hatchepsut, em particular os que tiveram lugar na cidade de Tebas.

Senemut, um oficial do exército de origem modesta, é por vezes visto como companheiro de Hatchepsut, que não casou enquanto foi faraó. Foi chefe do conselho da rainha e preceptor da filha de Hatchepsut, a princesa Neferuré, com a qual surge representado em várias "estátuas-cubo" (estátuas nas quais apenas a cabeça em

erge de um bloco de pedra).

Nos baixos-relevos do templo de Deir e-Bahari ficou representada a expedição à região do Punt. Esta terra, que se julga corresponder à algures na costa da Somália, era conhecida pelas suas riquezas, como a mirra, o incenso, o ébano, o marfim e os animais exóticos. A expedição parece ter sido pacífica, tendo os egípcios trocado os bens que desejavam por armas e jóias.

Nas paredes do templo é possível ver as cenas que mostram cinco barcos a partir para o Punt seguindo a rota do Mar Vermelho. São calorosamente recebidos pelo rei local, Pa-Rahu, e a sua esposa, Ity, representada como uma senhora obesa. Depois de um banquete, os barcos foram carregados com os produtos. As representações mostram árvores de incenso, que teriam sido plantadas no recinto do templo de Deir e-Bahari
No
Templo de Hatchepsut (Deir-el-Bahari), existem retratos do seu dia-a-dia mostrando a rainha como uma figura obesa, algo não convencional para a arte egípcia. Alguns estudiosos acreditam que a rainha foi realmente obesa, outros acreditam que seja uma figuração de "matriarcal". Ainda existem representações de Hatchepsut como uma mulher sem seios e barbada. Alguns historiadores acreditam que e stas representações de Hatchepsut são representações feitas por ordem da rainha para ausentar sua figura de fragilidade (ausência dos seios) e a barba para representar o poder. Hatchepsut foi substituída por Tutmés III, que durante seu reinado apagou diversos traços de sua co-regente como bustos, afrescos e interrompeu algumas de suas obras quando assumiu o poder.
Tendo em conta que o nome de Hatchepsut foi suprimido das principais listas de reis do Antigo Egipto, desconheceu-se durante muito tempo a existência de Hatchepsut. Em meados do século XIX, quando a Egiptologia se estruturou como campo do saber, inic iou-se a redescoberta da rainha-faraó. Em 1922-1923 o egiptólogo Herbert Winlock, que realizava escavações em Deir el-Bahari na área pertencente ao rei Mentuhotep II, encontraria uma série de estátuas de Hatchepsut. Uma parte destas estátuas estão hoje no Museu Egípcio do Cairo e no Metropolitan Museum of Art

O Templo de Milhões de Anos - Deir-el-Bahari


Ao oitavo ano do reinado de Hatchepsut, a grande obra do templo de Milhões de Anos é iniciada na margem ocidental de Tebas. O lugar escolhido: - a encosta de uma falésia, onde hoje encontramos os Vale dos Reis e das Rainhas. O templo foi criado para prestar homenagem ao seu Ka, associado ao seu pai Tutmósis I, sendo residência também de Amon e Hathor.

Também foram construídos, por ordem da Faraó, obeliscos que foram transportados de Assuã até Karnak. Os monumentos com mais de 300 toneladas foram trabalhados nas pedreiras de granito de Assuã. Ao que consta, foram utilizados 7 meses para co

nstruir, transportar e erguer os obeliscos, e a presença desses monumentos dissipavam as forças negativas e protegiam o templo, atraindo assim a l

uz criadora.



segunda-feira, 18 de outubro de 2010

A noite acendeu as estrelas porque tinha medo da própria escuridão


Crying In The Rain A-ha
I'll never let you see
The way my broken heart is hurting me
I've got my pride and I know how to hide
All my sorrow and pain
I'll do my crying in the rain

If I wait for stormy skies
You won't know the rain from the tears in my eyes
You'll never know that I still love you so
Though the heartaches remain
I'll do my crying in the rain

Raindrops falling from heaven
Could never take away my misery
But since we're not together
I'll "pray" for stormy weather
To hide these tears I hope you'll never see

Someday when my crying's done
I'm gonna wear a smile and walk in the sun
I may be a fool
But till then, darling, you'll never see me complain
I'll do my crying in the rain

Since we're not together
I'll pray for stormy weather
to hide these tears
I hope you'll never see

Someday when my crying's done
I'm gonna wear a smile and walk in the sun
I may be a fool
But till then, darling, you'll never see me complain
I'll do my crying in the rain
I'll do my crying in the rain
I'll do my crying in the rain


quinta-feira, 14 de outubro de 2010



A vida é sempre a mesma para todos: rede de ilusões e desenganos. O quadro é único, a moldura é que é diferente.

Florbela Espanca

Há uma primavera em cada vida: é preciso cantá-la assim florida, pois se Deus nos deu voz, foi para cantar! E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada que seja a minha noite uma alvorada, que me saiba perder...para me encontrar....

Florbela Espanca

Fanatismo
Minhálma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és se quer razão do meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!

Não vejo nada assim enlouquecida...
Passo no mundo, meu amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!

"Tudo no mundo é frágil, tudo passa..."
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!

E, olhos postos em ti, digo de rastros:
"Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: Princípio do Fim!..."

Florbela Espanca

Nunca fui como todos
Nunca tive muitos amigos
Nunca fui favorita
Nunca fui o que meus pais queriam
Nunca tive alguém que amasse
Mas tive somente a mim
A minha absoluta verdade
Meu verdadeiro pensamento
O meu conforto nas horas de sofrimento
não vivo sozinha porque gosto
e sim porque aprendi a ser só...

Florbela Espanca

O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais; há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que eu nem mesma compreendo, pois estou longe de ser uma pessoa; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudade… sei lá de quê!

Florbela Espanca

Habibi Ya Nour El Ain

Meu amor, luz do olhar que vive na minha imaginação

Estou apaixonado há anos e não há outro(a) em minha mente
Meu amor, luz do olhar que vive na minha imaginação
Estou apaixonado há anos e não há outro(a)em minha mente


Meu amor, meu amor, meu amor, luz do olhar
Meu amor, meu amor, meu amor que vive na minha imaginação

Os mais lindos olhos que já vi no mundo
Que Deus te abençoe pelo feitiço deles
Os mais lindos olhos que já vi no mundo
Que Deus te abençoe pelo feitiço deles

Teus olhos estão comigo, teus olhos me são suficientes,
Teus olhos estão comigo, teus olhos me são suficientes,
Eles Iluminam as minhas noites

Meu amor, luz do olhar...

Meu amor, luz do olhar que vive na minha imaginação
Estou apaixonado há anos e não há outro(a) em minha mente
Teu coração me chamou e disse que você me ama
Que Deus te abençoe, você me tranquilizou (acalmou)
Teu coração me chamou e disse que você me amor

_________________________________

Habibi ya nour el-ain
Ya sakin khayali
A'ashek bakali sneen wala ghayrak bibali

Habibi, Habibi, Habibi ya nour el-ain, aah
Habibi, Habibi, Habibi ya nour el-ain
Ya sakin khayali

Agmal a'ouyoun filkone ana shiftaha ...
Allah a'alake allah a'la sihraha
A'oyonak maa'aya ...
A'oyonak kifaya ...
Tinawar layali

Habibi, Habibi, Habibi ya nour el-ain, aah
Habibi, Habibi, Habibi ya nour el-ain
Ya sakin khayali

Kalbak nadani wkal bithibini
Allah a'alake allah
Tamentini
Maa'ak elbidaya ...
Wkoul elhikaya ...
Maa'ak lilnihaya

Habibi, Habibi, Habibi ya nour el-ain, aah
Habibi, Habibi, Habibi ya nour el-ain, aah
Aah ... Habibi ... Habibi ... aah

R=1
http://www.youtube.com/watch?v=bnI4Ji8nyPI&N

Um dia a maioria de nós irá se separar. Sentiremos saudades de todas as conversas jogadas fora, as descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos, dos tantos risos e momentos que compartilhamos...

Saudades até dos momentos de lágrima, da angústia, das vésperas de finais de semana, de finais de ano, enfim... do companheirismo vivido... Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre...

Hoje não tenho mais tanta certeza disso. Em breve cada um vai pra seu lado, seja pelo destino, ou por algum desentendimento, segue a sua vida, talvez continuemos a nos encontrar, quem sabe... nos e-mails trocados...

Podemos nos telefonar... conversar algumas bobagens. Aí os dias vão passar... meses... anos... até este contato tornar-se cada vez mais raro. Vamos nos perder no tempo...

Um dia nossos filhos verão aquelas fotografias e perguntarão: Quem são aquelas pessoas? Diremos que eram nossos amigos. E... isso vai doer tanto!!! Foram meus amigos, foi com eles que vivi os melhores anos de minha vida!

A saudade vai apertar bem dentro do peito. Vai dar uma vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente... Quando o nosso grupo estiver incompleto... nos reuniremos para um último adeus de um amigo. E entre lágrima nos abraçaremos...

Faremos promessas de nos encontrar mais vezes daquele dia em diante. Por fim, cada um vai para o seu lado para continuar a viver a sua vidinha isolada do passado... E nos perderemos no tempo...

Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo: não deixes que a vida passe em branco, e que pequenas adversidades sejam a causa de grandes tempestades...

Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores... mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!!!

Vinícius de Moraes

Eu não existo sem você

Eu sei e você sabe, já que a vida quis assim
Que nada nesse mundo levará você de mim
Eu sei e você sabe que a distância não existe
Que todo grande amor
Só é bem grande se for triste
Por isso, meu amor
Não tenha medo de sofrer
Que todos os caminhos
Me encaminham pra você

Assim como o oceano
Só é belo com luar
Assim como a canção
Só tem razão se se cantar
Assim como uma nuvem
Só acontece se chover
Assim como o poeta
Só é grande se sofrer
Assim como viver
Sem ter amor não é viver
Não há você sem mim
Eu não existo sem você

Vinícius de Moraes

domingo, 10 de outubro de 2010


"... Há quem diga que todas as noites são de sonhos.
Mas há também quem garanta que nem todas, só as de verão. No fundo, isto não tem muita importância.
O que interessa mesmo não é a noite em si, são os sonhos. Sonhos que o homem sonha sempre, em todos os lugares, em todas as épocas do ano, dormindo ou acordado... "


William Shakespeare

William Shakespeare - Festival de poemas e citações.


Duvida que do céu a abóbada azulada

Tenha esferas de luz de um mágico

esplendor,

Duvida que seja o sol o facho da

alvorada,

Duvida da verdade em tua alma

gravada,

Mas não duvides nunca, oh! nunca,
____________________
d'este amor.
Amor quando é amor não definha
E até o final das eras há de aumentar.
Mas se o que eu digo for erro
E o meu engano for provado
Então eu nunca terei escrito
Ou nunca ninguém terá amado.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010


O CORVO


Edgar Allan Poe

Tradução em prosa por Helder da Rocha

Numa sombria madrugada, enquanto eu meditava, fraco e cansado, sobre um estranho e curioso volume de folclore esquecido; enquanto cochilava, já quase dormindo, de repente ouvi um ruído. O som de alguém levemente batendo, batendo na porta do meu quarto. "Uma visita," disse a mim mesmo, "está batendo na porta do meu quarto - É só isto e nada mais."

Ah, que eu bem disso me lembro, foi no triste mês de dezembro, e que cada distinta brasa ao morrer, lançava sua alma sobre o chão. Eu ansiava pela manhã. Buscava encontrar nos livros, em vão, o fim da minha dor - dor pela ausente Leonor - pela donzela radiante e rara que chamam os anjos de Leonor - cujo nome aqui não se ouvirá nunca mais.


E o sedoso, triste e incerto sussurro de cada cortina púrpura me emocionava - me enchia de um terror fantástico que eu nunca havia antes sentido. E buscando atenuar as batidas do meu coração, eu só repetia: "É apenas uma visita que pede entrada na porta do meu quarto - Uma visita tardia pede entrada na porta do meu quarto; - É só isto, só isto, e nada mais."

Mas depois minha alma ficou mais forte, e não mais hesitando falei: "Senhor", disse, "ou Senhora, vos imploro sincero vosso perdão. Mas o fato é que eu dormia, quando tão gentilmente chegastes batendo; e tão suavemente chegastes batendo, batendo na porta do meu quarto, que eu não estava certo de vos ter ouvido". Depois, abri a porta do quarto. Nada. Só havia noite e nada mais.

Encarei as profundezas daquelas trevas, e permaneci pensando, temendo, duvidando, sonhando sonhos mortal algum ousara antes sonhar. Mas o silêncio era inquebrável, e a paz era imóvel e profunda; e a única palavra dita foi a palavra sussurrada, "Leonor!". Fui eu quem a disse, e um eco murmurou de volta a palavra "Leonor!". Somente isto e nada mais.

De volta, ao quarto me volvendo, toda minh'alma dentro de mim ardendo, outra vez ouvi uma batida um pouco mais forte que a anterior. "Certamente," disse eu, "certamente tem alguma coisa na minha janela! Vamos ver o que está nela, para resolver este mistério. Possa meu coração parar por um instante, para que este mistério eu possa explorar. Deve ser o vento e nada mais!"

Abri toda a janela. E então, com uma piscadela, lá entrou esvoaçante um nobre Corvo dos santos dias de tempos ancestrais. Não pediu nenhuma licença; por nenhum minuto parou ou ficou; mas com jeito de lorde ou dama, pousou sobre a porta do meu quarto. Sobre um busto de Palas empoleirou-se sobre a porta do meu quarto. Pousou, sentou, e nada mais.

Depois essa ave negra, seduzindo meu triste semblante, acabou por me fazer sorrir, pelo sério e severo decoro da expressão por ela mostrada. "Embora seja raspada e aparada a tua crista," disse eu, "tu, covarde não és nada. Ó velho e macabro Corvo vagando pela orla das trevas! Dize-me qual é teu nobre nome na orla das trevas infernais!".

E o Corvo disse: "Nunca mais."

Muito eu admirei esta ave infausta por ouvir um discurso tão atenta, apesar de sua resposta de pouco sentido, que pouca relevância sustenta. Pois não podemos deixar de concordar, que ser humano algum vivente, fora alguma vez abençoado com a vista de uma ave sobre a porta do seu quarto; ave ou besta sobre um busto esculpido, sobre a porta do seu quarto, tendo um nome como "Nunca mais."

Mas o corvo, sentado sozinho no busto plácido, disse apenas aquela única palavra, como se naquela única palavra sua alma se derramasse. Depois, ele nada mais falou, nem uma pena ele moveu, até que eu pouco mais que murmurei: "Outros amigos têm me deixado. Amanhã ele irá me deixar, como minhas esperanças têm me deixado."

Então a ave disse "Nunca mais."

Impressionado pelo silêncio quebrado por resposta tão precisa, "Sem dúvida," disse eu, "o que ele diz são só palavras que guardou; que aprendeu de algum dono infeliz perseguido pela Desgraça sem perdão. Ela o seguiu com pressa e com tanta pressa até que sua canção ganhou um refrão; até ecoar os lamentos da sua Esperança que tinha como refrão a frase melancólica 'Nunca - nunca mais.' "

Mas o Corvo ainda seduzia minha alma triste e me fazia sorrir. Logo uma cadeira acolchoada empurrei diante de ave, busto e porta. Depois, deitado sobre o veludo que afundava, eu me entreguei a interligar fantasia a fantasia, pensando no que esta agourenta ave de outrora, no que esta hostil, infausta, horrenda, sinistra e agourenta ave de outrora quis dizer, ao gritar, "Nunca mais."

Concentrado me sentei para isto adivinhar, mas sem uma sílaba expressar à ave cujos olhos ígneos no centro do meu peito estavam a queimar. Isto e mais eu sentei a especular, com minha cabeça descansada a reclinar, no roxo forro de veludo da cadeira que a luz da lâmpada contemplava, mas cujo roxo forro de veludo que a lâmpada estava a contemplar ela não iria mais apertar, ah, nunca mais!

Então, me pareceu o ar ficar mais denso, perfumado por invisível incensário, agitado por Serafim cujas pegadas ressoavam no chão macio. "Maldito," eu gritei, "teu Deus te guiou e por estes anjos te enviou. Descansa! Descansa e apaga o pesar de tuas memórias de Leonor. Bebe, oh bebe este bom nepenthes e esquece a minha perdida Leonor!"

E o Corvo disse: "Nunca mais."

"Profeta!" disse eu, "coisa do mal! - profeta ainda, se ave ou diabo! - Tenhas sido enviado pelo Tentador, tenhas vindo com a tempestade; desolado porém indomável, nesta terra deserta encantado, neste lar pelo Horror assombrado, dize-me sincero, eu imploro. Há ou não - há ou não bálsamo em Gileade? - dize-me - dize-me, eu imploro!"

E o Corvo disse: "Nunca mais."

"Profeta!" disse eu, "coisa do mal! - profeta ainda, se ave ou diabo! Pelo Céu que sobre nós se inclina, pelo Deus que ambos adoramos, dize a esta alma de mágoa carregada que, antes do distante Éden, ela abraçará aquela santa donzela que os anjos chamam de Leonor; que abraçará aquela rara e radiante donzela que os anjos chamam Leonor."

E o Corvo disse: "Nunca mais."

"Que essa palavra nos aparte, ave ou inimiga!" eu gritei, levantando - "Volta para a tua tempestade e para a orla das trevas infernais! Não deixa pena alguma como lembrança dessa mentira que tua alma aqui falou! Deixa minha solidão inteira! - sai já desse busto sobre minha porta! Tira teu bico do meu coração, e tira tua sombra da minha porta!"

E o Corvo disse: "Nunca mais."

E o Corvo, sem sequer se bulir, se senta imóvel, se senta ainda, sobre o pálido busto de Palas que há sobre a porta do meu quarto. E seus olhos têm toda a dor dos olhos de um demônio que sonha; e a luz da lâmpada que o ilumina, projeta a sua sombra sobre o chão. E minh'alma, daquela sombra que jaz a flutuar no chão, levantar-se-á - nunca mais!

Soneto de Fidelidade

De tudo ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.

Vinícius de Moraes


quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Link do video Brave Heart


Postei anteriormente o lindo poema do filme Brave heart. E achei no orkut, um video com a montagem deste poema,Como não conssegui adiciona-lo no blog, vou deixar o link para vocês verem, é um dos melhores que vi até hoje, simplismente maravilhoso.

http://www.youtube.com/watch?v=ul30WpQJIJQ

Espero que gostem.

Coração Valente

Abri o meu coração e deixei ele falar
Mas nada ele disse, apenas quis voar
Para onde eu não sei,
Mas sei o que ele trouxe
Gravado no seu centro,
Um nome...
que eu jamais poderia esqueçer
Com medo fiquei e o aprisionei
Para nunca mais voar
Coração abatido, Sofrendo de dor
Chorava dia após dia de amor
Clamando por liberdade
Angustiado, Aprisionado
Gritando, sangrando por falta do seu amor
CORAÇÃO VALENTE
Voando rápido como o vento
Arrependido logo fiquei e o libertei
Desapareceu no céu azul
Dentro do meu peito, um vazio ficou
A tristeza Bateu que meu peito, Arrependeu.
Ao ver meu coração partir
Chorando fiquei
dias após dias sofrendo
Uma lamentaçãoo sem meu valente amigo coração
Meu coração que outrora retornou
Trazendo conssigo o seu grande amor
coração valente que veio a mim e contou
Que a distancia separa dois olhares
Mais jamais vai separar dois corações
Um coração abatido
Jamais ganha uma luta
Mas um coração que luta
sempre terá a sua vitória


- Braveheart -

Clarice Lispector

"...Não me prendo a nada que me defina. Sou companhia, mas posso ser solidão. Tranqüilidade e inconstância, pedra e coração. Sou abraços, sorrisos, ânimo, bom humor, sarcasmo, preguiça e sono. Música alta e silêncio. Serei o que você quiser, mas só quando eu quiser. Não me limito, não sou cruel comigo! Serei sempre apego pelo que vale a pena e desapego pelo que não quer valer… Suponho que me entender não é uma questão de inteligência e sim de sentir, de entrar em contato… Ou toca, ou não toca..."